gasta a
imagem,
com ‘su
lengua’
de faca
escava
na face
cava
sua
máscara —
com sua
língua
de faca —
sua
morte
escava

Poema sobre uma fotografia
Assentou-se
entre livros,
os clássicos, os
contemporâneos,
livros
de toda sorte,
um e outro
casualmente
arranjado,
no colo um gato
rajado,
gato maltês,
para ser
fotografado
como um homem
de sabedoria,
mas
alguma coisa
no olho do gato o
denunciava:
não era Cortázar
a imagem sem centro
aSylviaPlath
a imagem
como ausência
sem centro,
sem voz,
sem cor,
sem um gordo cadáver
fala em solilóquio, faca
cega
que não corta mais seus signos
oh a irmã com os olhos cerzidos
entre as roseiras...
a doce irmã da infância...
quem de vós, em sã consciêcia,
desamordaçaria
Elfrangor?
Francisco dos Santos, 1967, Mato Grosso do Sul. Publicou Topografia de um homem urbano (1986/2001, desenhos), Diálogo com Goya (2000/2002, pintura), A reinvenção do mesmo (2002/2003, poesia), entre outros títulos.
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